Um conjunto de registros envolvendo contatos entre o Banco Central e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes foi colocado sob sigilo no contexto do processo de liquidação do Banco Master, após reportagens apontarem possíveis interlocuções entre as partes sobre o caso. A medida atinge comunicações que teriam ocorrido entre o magistrado e o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.
De acordo com o próprio Galípolo, todas as tratativas relacionadas ao Banco Master foram devidamente registradas pelos sistemas internos do Banco Central. No entanto, esses documentos não foram tornados públicos. O jornalista André Shalders, do portal Metrópoles, protocolou um pedido de acesso com base na Lei de Acesso à Informação, mas teve a solicitação negada sob o argumento de que os dados estariam protegidos por envolverem informações patrimoniais e pessoais.
Com a decisão, foram mantidos em sigilo não apenas conteúdos sensíveis, mas também dados objetivos como datas, mensagens e registros de reuniões, que em situações semelhantes costumam ser liberados com trechos ocultados. Reportagens indicaram que Moraes e Galípolo teriam mantido ao menos seis contatos no período em que o processo de liquidação do Banco Master estava em andamento, informação que foi negada por ambos.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que o Banco Master firmou contrato de honorários no valor de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. A informação também foi divulgada pelo portal Metrópoles, que anunciou que irá recorrer da negativa de acesso aos documentos para tentar obter os registros por via administrativa ou judicial.
