A Stellantis detalhou seu plano de produtos para 2026 e confirmou que o próximo ano será um dos mais intensos de sua história na América do Sul. O grupo prepara 16 novos modelos e atualizações, com avanços na linha híbrida e a introdução de um compacto totalmente inédito no portfólio da Fiat. Embora o nome ainda não esteja oficializado, o projeto deriva diretamente do Fiat Grande Panda, apresentado neste ano na Europa.
O pacote faz parte do investimento de R$ 32 bilhões reservado para a região, considerado o maior da história do setor automotivo sul-americano. A meta é ampliar capacidade produtiva, acelerar a eletrificação e aproximar o portfólio regional do padrão global do conglomerado. Com lançamentos agendados já para janeiro, a Stellantis pretende consolidar sua liderança industrial e comercial no Brasil. O grupo encerra 2025 com mais de 900 mil veículos vendidos na região e mira superar a marca de 1 milhão em 2026.
A estratégia envolve três polos industriais. Goiana, em Pernambuco, receberá quatro modelos equipados com a tecnologia Bio-Hybrid, desenvolvida localmente, além da nacionalização do elétrico Leapmotor C10. Em Porto Real, no Rio de Janeiro, um segundo turno será dedicado ao Jeep Avenger e à linha Citroën. Já Betim, em Minas Gerais, celebrará 50 anos com o início da produção de um novo compacto da Fiat, voltado ao segmento de entrada.
A previsão é aumentar também o peso da América do Sul no resultado global do grupo. Hoje, a região responde por cerca de 5% das vendas mundiais, mas a meta é chegar a 15% com a expansão prevista para 2026.
O destaque do pacote é o futuro compacto inspirado no Grande Panda europeu. O modelo adota linguagem retrô, com faróis em formato de X, lanternas em LED estilizadas e proporções mais altas que as de um hatch tradicional. Ainda sem nome definido, a opção “Uno” está entre as possibilidades. Ele utiliza a plataforma CMP, a mesma de Peugeot 208 e Citroën C3, e foi projetado para receber motores a combustão, híbridos e elétricos.

Leapmotor C10 BEV • Leapmotor/Divulgação
Na Europa, o Grande Panda mede 3,99 metros de comprimento, 1,76 m de largura e 1,58 m de altura, com porta-malas variando de 361 a 412 litros, dependendo da motorização. O interior segue design angular e soluções práticas, como dois porta-luvas e uso de fibras naturais. Para o mercado brasileiro, o compacto deve adotar os motores 1.0 Firefly de 75 cv, 1.0 turbo T200 de 130 cv e uma versão híbrida leve de 48 volts.
O pacote de lançamentos inclui ainda seis híbridos, sendo quatro produzidos em Goiana. Renegade, Compass, Commander e Fiat Toro receberão o sistema Bio-Hybrid, que combina o motor 1.3 turbo flex ao conjunto MHEV de 48 volts. A solução reúne dois motores elétricos: um substitui o alternador tradicional e outro atua acoplado ao câmbio automatizado de dupla embreagem E-DCT, favorecendo o uso do modo elétrico em baixas velocidades. O Renegade ganhará um facelift para acomodar a tecnologia, com nova grade, para-choques redesenhados e rodas exclusivas.
A Jeep também se prepara para a chegada do Avenger, cuja produção começará em 2026 em Porto Real. A demanda antecipada pelo SUV exigiu reorganização da linha e abertura de um novo turno. Posicionado abaixo do Renegade, ele atuará entre os compactos urbanos e ampliará o alcance da marca. O modelo ganhou destaque ao quebrar uma barreira de vidro durante apresentação no Salão do Automóvel.

Jeep Avenger • Rodrigo Barros/CNN
Entre os 16 lançamentos previstos, estão ainda a Ram Dakota, picape derivada da Fiat Titano que chega no começo do ano, e a produção nacional da Leapmotor em Goiana. Atualizações em modelos já existentes também integram o cronograma para 2026, reforçando a tentativa de consolidar a Stellantis como protagonista absoluto da região.

Ram Dakota • Rodrigo Barros/CNN
