Uma nova geração de cães treinados para atuar como suporte à saúde mental vem ganhando espaço no Brasil e no mundo, oferecendo mais autonomia, segurança e qualidade de vida a pessoas diagnosticadas com transtornos psicológicos e psiquiátricos.
Há cerca de cinco anos, a influenciadora Mayara Correa, hoje com 24 anos, passou a estudar o papel dos cães de assistência emocional como complemento ao tratamento de transtorno de ansiedade generalizada, estresse pós-traumático, transtorno de personalidade borderline e transtorno bipolar. Após avaliação clínica e ajustes no tratamento, ela recebeu o laudo que autorizou seu primeiro cão de serviço. Atualmente, Mayara compartilha sua rotina com o cão Sirius nas redes sociais, por meio do perfil “Vida em Matilha”.
Segundo ela, o animal desempenha funções essenciais para sua estabilidade. Sirius auxilia na busca de medicamentos, realiza técnicas de pressão profunda para reduzir crises de ansiedade e monitora alterações físicas que antecedem episódios mais graves. O resultado, afirma, é mais independência, segurança e equilíbrio emocional.
Especialistas explicam que existem diferenças importantes entre os tipos de animais que atuam na área da saúde. De acordo com Ingrid Atayde, médica veterinária, psicóloga e chefe do Setor de Comissões Técnicas do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), os animais de serviço são treinados para executar tarefas específicas, como guiar pessoas com deficiência visual, alertar pessoas surdas sobre sons ou identificar sinais de crises convulsivas, hipoglicemia ou ansiedade.
Esses animais passam por seleção rigorosa. Algumas raças, como labrador e golden retriever, apresentam maior predisposição genética, mas mesmo dentro delas apenas uma parcela demonstra aptidão adequada para o treinamento profissional.
Já os animais de assistência emocional atuam como suporte psicológico, ajudando a reduzir níveis de estresse, ansiedade e depressão. De acordo com a psicóloga Patrícia Muñoz, doutora em psicologia experimental pela USP, a simples presença do animal pode provocar redução do cortisol, hormônio ligado ao estresse, além de estimular rotinas de cuidado e conexão emocional. No entanto, esse tipo de suporte deve estar integrado ao plano terapêutico do paciente.
Há ainda os chamados animais de terapia, que atuam em hospitais, clínicas e instituições de reabilitação, auxiliando em tratamentos de fisioterapia, psicologia e reabilitação motora, especialmente com crianças e idosos.
A expansão do uso de cães de assistência reflete uma mudança no modo como a saúde mental vem sendo tratada, cada vez mais integrando abordagens clínicas com recursos terapêuticos baseados em vínculo, estímulo emocional e funcionalidade.

