O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, já é o segundo mais comum tanto entre homens quanto entre mulheres e tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos em Mato Grosso, no Brasil e no mundo. A informação é do gastroenterologista e endoscopista Roberto Barreto, vice presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva de Mato Grosso, em entrevista ao MidiaNews.
Segundo o especialista, embora a maioria dos diagnósticos ainda ocorra em pessoas acima dos 50 anos, o perfil dos pacientes tem mudado. Casos em indivíduos com menos de 40 anos vêm sendo registrados com mais frequência, fenômeno associado principalmente a mudanças nos hábitos de vida e na alimentação ao longo das últimas décadas.
Entre os fatores que mais influenciam o aumento da doença estão o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, obesidade, sedentarismo, tabagismo, ingestão elevada de álcool e dietas pobres em fibras e ricas em carnes vermelhas, embutidos e produtos industrializados. Barreto explica que, apesar de existirem síndromes genéticas associadas ao câncer de intestino, esses casos representam uma parcela menor do total, enquanto a maioria está ligada a fatores que podem ser modificados.
O médico destacou que campanhas de conscientização, como o Março Azul, têm ampliado o acesso à informação sobre a necessidade de prevenção. Ele reforça que a colonoscopia é o principal exame para rastreamento da doença, pois permite identificar e remover lesões precursoras conhecidas como pólipos antes que se transformem em câncer.
A sequência que leva ao tumor é chamada de adenoma displasia carcinoma, e ocorre quando um pólipo sofre alterações ao longo do tempo até se tornar maligno. Durante a colonoscopia, esses pólipos podem ser retirados no mesmo procedimento, interrompendo o processo. Estudos populacionais indicam que a realização do exame no momento adequado pode reduzir a incidência do câncer de intestino entre 40 e 50 por cento.
A tecnologia dos equipamentos atuais também contribui para a detecção precoce, com imagens de alta definição, recursos de cromoscopia virtual e técnicas de ampliação que permitem identificar lesões muito pequenas. Além de visualizar alterações, a colonoscopia possibilita a retirada do tecido e a análise histológica, que define se o pólipo apresenta risco de malignização.
De acordo com as diretrizes mais recentes, a colonoscopia como exame de rastreamento deve ser iniciada aos 45 anos para a população em geral. Em pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas, o acompanhamento deve começar mais cedo e em intervalos menores, conforme a avaliação médica.
O especialista também alerta que a maioria dos pólipos não provoca sintomas, o que faz com que muitas pessoas só descubram a doença em fases mais avançadas, quando já surgem sinais como anemia, perda de peso, dor abdominal ou alterações no funcionamento do intestino. Por isso, o rastreamento preventivo é considerado a principal ferramenta para reduzir a mortalidade e a incidência do câncer colorretal.
