O que começou como um passeio de férias terminou em uma noite de medo, silêncio e espera no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães. Uma família do interior do Paraná viveu momentos de desespero após a lancha em que estava naufragar repentinamente, deixando dois homens desaparecidos e uma mãe lutando para salvar os próprios filhos em meio à água escura e ao vento forte.
A sobrevivente, Camila Mazzaron, contou que o clima mudou de forma abrupta durante o trajeto. Minutos antes, o lago estava calmo. Em seguida, rajadas de vento e ondas fortes tomaram conta do local. Com um bebê no colo e o filho mais velho ao seu lado, ela tentou se proteger enquanto a embarcação perdia o controle.
Quando o motor desligou e a lancha virou, não houve tempo para reação. Camila conseguiu apenas reunir os filhos e, em um gesto instintivo, empurrar o menino de seis anos em direção à margem. Ele era o único que usava colete salva-vidas. A criança nadou até uma área próxima a um condomínio e pediu ajuda, ação que foi decisiva para que os socorristas encontrassem a mãe e o bebê mais tarde, já à noite.
Sozinha, à deriva e agarrada a um flutuador, Camila gritou por socorro até ser localizada por equipes da Marinha. Ela e o filho menor foram resgatados com vida, mas o marido, Lucas Yerdliska, e o piloto da lancha, Vando Celso, não foram encontrados e seguem desaparecidos.
A família havia saído de Apucarana, no Paraná, para passar o mês de dezembro em Mato Grosso e conhecer os atrativos turísticos da região. O passeio pelo lago foi decidido durante a viagem e, segundo Camila, nada indicava que o trajeto se transformaria em uma tragédia.
Mesmo abalada, ela mantém a esperança de que os dois homens tenham conseguido alcançar alguma margem ou área de mata ao redor do lago. As buscas continuam sendo realizadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Marinha, sem prazo definido para encerramento.
Enquanto as equipes seguem no trabalho, a família vive entre a angústia da espera e a fé de que o pior ainda possa ser revertido.
